Como celebramos o Yom Kipur
Por Rosh Gilberto Branco
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A Torá nos instrui que dez dias depois da celebração de Yom Teruá, devemos celebrar o chamado Yom Kipur ou dia da expiação.
O sétimo mês é a forma como está registrado na Torá, mas esse mês recebeu o nome de tishrei por influência babilônica.
Este texto estabelece a celebração;
Disse o Eterno a Moisés:
"O décimo dia deste sétimo mês é o Dia da Expiação. Façam uma reunião sagrada e humilhem suas almas, e apresentem ao Senhor uma oferta preparada no fogo.
Não realizem trabalho algum nesse dia, porque é o Dia da Expiação, quando se faz propiciação por vocês perante o Senhor, o Deus de vocês. Quem não se humilhar nesse dia será eliminado do seu povo.
Eu destruirei do meio do seu povo todo aquele que realizar algum trabalho nesse dia.
Vocês não realizarão trabalho algum. Este é um decreto perpétuo para as suas gerações, onde quer que vocês morarem.
É um sábado de descanso para vocês, e vocês se humilharão. Desde o entardecer do nono dia do mês até ao entardecer do dia seguinte vocês guardarão esse sábado". Levítico 23:26-32
Nesta passagem fica definida a data do ofício.
Alguns textos formam a visão geral dessa atividade sacerdotal que os descendentes de Arão deveriam realizar anualmente;
Mas por holocausto, em cheiro suave ao Senhor, oferecereis um novilho, um carneiro e sete cordeiros de um ano; eles serão sem defeito.
E, pela sua oferta de alimentos de flor de farinha misturada com azeite, três décimas para o novilho, duas décimas para o carneiro,
E uma décima para cada um dos sete cordeiros;
Um bode para expiação do pecado, além da expiação do pecado pelas propiciações, e do holocausto contínuo, e da sua oferta de alimentos com as suas libações. Números 29:8-11”
O dia da expiação era o dia em que o sumo sacerdote separava dois bodes; “Também tomará ambos os bodes, e os porá perante o Senhor, à porta da tenda da congregação.
E Arão lançará sortes sobre os dois bodes; uma pelo Senhor, e a outra pelo bode emissário.
Então Arão fará chegar o bode, sobre o qual cair a sorte pelo Senhor, e o oferecerá para expiação do pecado.
Mas o bode, sobre que cair a sorte para ser bode emissário, apresentar-se-
á vivo perante o Senhor, para fazer expiação com ele, a fim de enviá-lo ao deserto como bode emissário. Levítico 16:7-10”
A Torá instrui os sacerdotes como fazer o sacrifício;
“Depois degolará o bode, da expiação, que será pelo povo, e trará o seu sangue para dentro do véu; e fará com o seu sangue como fez com o sangue do novilho, e o espargirá sobre o propiciatório, e perante a face do propiciatório.
Assim fará expiação pelo santuário por causa das imundícias dos filhos de Israel e das suas transgressões, e de todos os seus pecados; e assim fará para a tenda da congregação que reside com eles no meio das suas imundícias.
E nenhum homem estará na tenda da congregação quando ele entrar para fazer expiação no santuário, até que ele saia, depois de feita expiação por si mesmo, e pela sua casa, e por toda a congregação de Israel.
Então sairá ao altar, que está perante o Senhor, e fará expiação por ele; e tomará do sangue do novilho, e do sangue do bode, e o porá sobre as pontas do altar ao redor.
E daquele sangue espargirá sobre o altar, com o seu dedo, sete vezes, e o purificará das imundícias dos filhos de Israel, e o santificará.
Havendo, pois, acabado de fazer expiação pelo santuário, e pela tenda da congregação, e pelo altar, então fará chegar o bode vivo.
E Arão porá ambas as suas mãos sobre a cabeça do bode vivo, e sobre ele confessará todas as iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, e todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem designado para isso.
Assim aquele bode levará sobre si todas as iniquidades deles à terra solitária; e deixará o bode no deserto. Levítico 16:15-22”
Vemos que Yom Kipur não é o dia designado para nós buscarmos o perdão dos nossos pecados individuais que cometemos durante todo o ano, como messiânicos sabemos que os nossos pecados já foram justificados pelo sacrifício de Yeshua no madeiro e não precisamos de um dia especial para isso.
No período bíblico antes do Mashiach, o sacerdote fazia a oferta de um bode pelos pecados do povo, ou seja, pelos pecados coletivos do povo, como também os confessava na cabeça do bode que seria levado ao deserto.
Vemos que nesse dia a participação do povo era passiva, pois somente os sacerdotes tinham algo para realizar, o povo apenas deveria ficar contrito e humilhar-se na presença do Eterno enquanto acompanhava todas as atividades.
Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás. Salmos 51:17
Mais importante do que o jejum, que o cumprimento da ordenança, é a contrição.
Desta forma, já que nos dias e hoje não há mais como um sacerdote realizar a cerimônia no templo, o que devemos fazer?
Em algumas comunidades ortodoxas, é realizado as "Kaparot" (ou kapara), que é um ritual de expiação realizado na véspera do Yom Kipur (Dia do Perdão), no qual um pássaro (geralmente um galináceo) é girado sobre a cabeça da pessoa e, em seguida, doado para caridade, simbolizando a expiação de pecados. A palavra hebraica kapará significa "expiação".
Na véspera do Yom Kipur, uma pessoa faz o ato de expiação, girando um frango (para homens) ou galinha (para mulheres) sobre a cabeça. A cerimônia busca a purificação e a expiação dos pecados para a aproximação do dia sagrado de Yom Kipur.
Hoje em dia, o ritual de kaparot pode ser substituído por dinheiro, que é subsequentemente doado para caridade, mostrando assim como se dá autoridade aos rabinos para mudarem as tradições como bem quiserem. Mas, não é assim que a Torá manda fazer!
Como messiânicos, vale as seguintes instruções:
No entanto, somente o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, apenas uma vez por ano, e nunca sem apresentar o sangue do sacrifício, que ele oferecia por si mesmo e pelos pecados que o povo havia cometido por ignorância.
Dessa forma, o Espírito Santo estava mostrando que ainda não havia sido manifestado o caminho para o Santo dos Santos enquanto ainda permanecia o primeiro tabernáculo.
Isso é uma ilustração para os nossos dias, indicando que as ofertas e os sacrifícios oferecidos não podiam dar ao adorador uma consciência perfeitamente limpa.
Eram apenas prescrições que tratavam de comida e bebida e de várias cerimônias de purificação com água; essas ordenanças exteriores foram impostas até o tempo da nova ordem.
Quando o Messias veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, isto é, não pertencente a esta criação.
Não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, e obteve eterna redenção.
Ora, se o sangue de bodes e touros e as cinzas de uma novilha espalhadas sobre os que estão cerimonialmente impuros os santificam de forma que se tornam exteriormente puros, quanto mais, então, o sangue do Messias, que pelo Espírito Eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, de modo que sirvamos ao Deus vivo!
Por essa razão, o Messias é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que ele morreu como resgate pelas transgressões cometidas sob a primeira aliança. Hebreus 9:7-15
Quanto aos messiânicos, nós assumimos a função dos sacerdotes, não mais oferecendo sacrifícios, pois Yeshua já o fez por nós, mas iremos interceder pelo povo de Israel que ainda não entendeu que Yeshua é o Messias, devemos apresentar um povo pecador que não reconheceu ainda a oferta do Korban perfeito que foi Yeshua, sacrificado uma única vez pelos pecados de cada pessoa que nele confia. Vamos cumprir a ordenança de nos humilharmos e intercederemos, para que cada judeu na face da terra tenha oportunidade de conhecer e reconhecer Yeshua como Messias e Salvador.
Quando jejuamos ficamos mais capacitados para orar neste período, pois nossa carne fica enfraquecida permitindo que o espírito fique mais forte. O jejum revela um desejo de mortificar a carne e demonstra que temos domínio próprio, o que é bastante valorizado pelo Eterno. Então não é só o fato de jejuar que é importante, mas o que se faz neste tempo.
Certamente, devemos aproveitar a oportunidade para dar uma revisada geral na nossa vida e ver se, por acaso, não escapou alguma coisa durante o ano e nos acertemos com o Eterno ainda que atrasados, pois não devemos esperar chegar esta época para nos arrependermos.
O Yom Kipur é um dia inteiro dedicado à reflexão sobre o pecado na vida da nação de Israel e, consequentemente, também na nossa própria vida.
De acordo com o talmude, os dez dias que começam em Rosh Hashaná e vão até “Yom kipur” são chamados de “Yamim Noraim” (dias terríveis). Durante este período, os judeus refletem sobre as suas ações do ano anterior e pedem perdão, tanto a Deus quanto ao próximo, procurando alinhar as suas vidas com a vontade Divina. É uma fase de reflexão profunda, na qual as pessoas são encorajadas a reparar as faltas cometidas durante o ano.
É tradicionalmente visto como o tempo em que Deus avalia o comportamento dos indivíduos e decide o seu destino para o ano vindouro.
Também é chamado de “Asseret Yemei Teshuvá” (Dez Dias de Arrependimento), conforme ensina o Talmude, o destino de cada pessoa é inscrito em Rosh Hashaná e selado em Yom Kipur
Os rabinos que inventaram essa tradição estavam totalmente dissociados da Torá, pois não há nenhuma referência que abone esse assunto.
Os rabinos interpretaram a palavra usada da Torá que é traduzida como afligir como sendo jejuar, daí a grande importância dada ao jejum nesta celebração.
Como na cultura judaica o dia começa após o pôr do sol, tradicionalmente se inicia um jejum nesse momento, quando começa o Yom Kipur. Realiza- se sempre um serviço especial de início que começa no “erev Yom Kipur”, após esse serviço se retorna para casa para voltar pela manhã ainda em jejum.
Pela manhã realiza-se mais um serviço que se encerra ao meio dia.
Um parêntese agora, no início do serviço, a comunidade judaica tradicional faz uma oração chamada Kol Nidre.
Kol Nidrei é uma cantata especial de oração perguntando a Deus por algum voto que tenha sido tomado inapropriadamente. As origens das petições datam da época da inquisição, quando muitos judeus foram forçosamente convertidos ao cristianismo católico da época, mas ainda queriam manter suas conexões com seu povo. A ideia é que com o serviço de Kol Nidre os votos de conversão seriam anulados, mas hoje em dia vale para tudo. Os messiânicos não devem ter parte com isso porque sabemos que qualquer ato errado da nossa parte é resolvido pelo sacrifício de Yeshua, e não será com uma cerimônia desprovida de respaldo na Torá que se alcançará a reparação.
Retorna-se à congregação no final de tarde para o serviço de “Neilá” ou
encerramento do dia com o toque do shofar.
Lembremos que não há nas Escrituras nada que nos leve a dizer que se
deva “entregar o jejum”, pois jejum não é um sacrifício para se ofertar, mas uma demonstração de domínio próprio, do domínio da carne fortalecendo o espírito.
Durante os três serviços, além de pontos tradicionais que realizamos,
daremos ênfase na intercessão pela salvação das “ovelhas perdidas da casa de Israel”, pois não há nada mais importante nesse dia do que exaltarmos o propósito do Eterno para com a salvação individual de cada judeu.
Yom Kipur não é exatamente uma festa, mas um dia solene de muita responsabilidade, é quando lembramos de forma mais evidente o quanto as “ovelhas perdidas da Casa de Israel” são do interesse do Eterno nosso Deus, mas ao mesmo tempo não é um dia de tristeza, pois devemos ter a convicção de que a nossa intercessão não será em vão, pois o Ruach irá agir na vida de muitos judeus pelo mundo, levando a Salvação ao coração de
muitas pessoas que ainda estão sem paz e sem a alegria de conhecer o Mashiach nosso Salvador, o Príncipe da paz.
Quando termina o dia, ao pôr do sol, encerramos a celebração com um longo toque do shofar. Nessa ocasião, o shofar assume o ponto alto do dia, quando mais uma vez nos lembramos do chamado de Yeshua para sermos suas testemunhas;
Mas receberão poder quando o Ruach haKodesh descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra". Atos 1:8
Para o encerramento do dia, deve-se preparar uma refeição leve para que cada um que jejuou por 24h recupere as suas forças.
Recomenda-se que as pessoas que tenham a saúde debilitada consultem o seu médico para avaliar se poderá jejuar por 24 horas.
O jejum deve ser total, abstendo-se de alimentos e água, mas, se alguém não puder ficar todo o dia, faça o quanto suportar ou mesmo quem não puder fazê-lo, participe da mesma forma do propósito deste dia em atitude de contrição, e interceda como um sacerdote pelo povo hebreu, tenha empatia pelo sofrimento daqueles que, mesmo tendo uma religião que reverencia a Torá, não encontraram nela a transformação de suas vidas.
Um verdadeiro messiânico irá valorizar muito a celebração deste dia, pois estaremos, sem dúvida, cumprindo o propósito que o Eterno tem quando inspirou o ressurgimento do que hoje chamamos de “Movimento Judaico Messiânico” no século passado, propósito esse que é a salvação daqueles que o Shaliach (apóstolo) Shaul se referiu em Romanos 10 com importantes comentários também no capítulo 9.
Irmãos, o desejo do meu coração e a minha oração a Deus pelos israelitas é que eles sejam salvos.
Pois posso testemunhar que eles têm zelo por Deus, mas o seu zelo não se baseia no conhecimento. Romanos 10:1,2
Digo a verdade no Messias, não minto; minha consciência o confirma no Ruach haKodesh: tenho grande tristeza e constante angústia em meu coração.
Pois eu até desejaria ser amaldiçoado e separado do Messias por amor de meus irmãos, os de minha raça, Romanos 9:1-3
Ao concluir o Yom Kipur, devemos manter em mente que a nossa intercessão não se restringe apenas a uma celebração por ano, mas que todos os dias devemos continuar a lembrar que diariamente estão morrendo judeus em todo o mundo que ainda não ouviram que Yeshua é de fato o Messias de Israel.
Ao encerrar o período de Yom Kipur, os judeus tradicionais expressam o desejo de que os seus nomes estejam inscritos no Livro da Vida.
Infelizmente para eles somente o fato de terem jejuado e cumprido este dia não garantirá que estejam relacionados como justificados diante do Eterno, é fundamental que todos saibam que o nosso nome só será registrado no Livro se formos justificados pelo sangue de Yeshua e permanecermos fiéis até o fim. Então os milhões de judeus que jejuaram, mas não tem Yeshua em sua vida apenas cumpriram uma tradição, passaram fome e não ganharam nada com isso, mas um messiânico que orou fervorosamente para que esses judeus sejam salvos, fez algo de grande valor.
Participemos do propósito do nosso Criador para que logo se complete o número dos salvos e então ouviremos o soar do último shofar.
“... num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som do último shofar. Pois o shofar soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados.” 1 Coríntios 15:52
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