visão de cima de um pote cheio de biscoitos hamantaschen, ou orelhas de Haman, com confeitos coloridos espalhados na mesa

A celebração do Purim

14/03/2022
Por Rosh Gilberto Branco

Tempo de leitura: minutos


O Purim é a celebração que encontramos descrita no livro de Ester (Meguilat Ester), a ordenança de celebrar esta festa não é uma ordem direta de Deus ao povo, mas sim foi uma instrução de Mordechai aos judeus por meio de suas cartas, e o próprio povo decidiu observar esta data, porém todo o seu significado e milagres descritos se encontram enraizados na Bíblia, o que faz com que esta festa seja um dos memoriais mais importantes e mantidos até hoje.

Conforme está escrito em;

“E Mordechai escreveu estas coisas, e enviou cartas a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Assuero, aos de perto, e aos de longe, ordenando-lhes que guardassem o dia catorze do mês de Adar, e o dia quinze do mesmo, todos os anos, como os dias em que os judeus tiveram repouso dos seus inimigos, e o mês que se lhes mudou de tristeza em alegria, e de luto em dia de festa, para que os fizessem dias de banquetes e de alegria, e de mandarem presentes uns aos outros, e dádivas aos pobres.

E os judeus encarregaram-se de fazer o que já tinham começado, como também o que Mordechai lhes tinha escrito.

Confirmaram os judeus, e tomaram sobre si, e sobre a sua descendência, e sobre todos os que se achegassem a eles, que não se deixaria de guardar estes dois dias conforme ao que se escrevera deles, e segundo o seu tempo determinado, todos os anos.

E que estes dias seriam lembrados e guardados em cada geração, família, província e cidade, e que esses dias de Purim não fossem revogados entre os judeus, e que a memória deles nunca teria fim entre os de sua descendência.” Ester 9.20-28

 

É tradicional para o povo judeu ler todo o livro de Ester em voz alta em Purim, e toda vez que o nome do inimigo é mencionado devemos abafar o som com vaias e barulho, é a parte mais divertida. É difícil encontrar um enredo mais dramático, acelerado, fascinante e cheio de suspense do que este.

A festa costuma ser celebrada com fantasias (porque o tema “esconder-se” atravessa a história de Ester), comemorações, costumasse comer biscoitos especiais “hamantaschen” ou “orelhas de haman”, e as pessoas dão presentes (doces, comidas e etc) umas às outras e aos pobres.

Apesar do uso de fantasias, o Purim não é o “carnaval judaico”, muito longe disso. A festa comemora a libertação do povo judeu que estava no exílio no antigo Império Persa. Purim significa “sorte” e se refere ao sorteio que Hamã usou para escolher a data do planejado (e frustrado) massacre do povo judeu.

 

Esta festa nos lembra que Deus está sempre trabalhando mesmo quando parece escondido, e Seus planos para você nunca podem ser frustrados! O livro de Ester é muito relevante para nós hoje, pois nos lembra que os destinos de nossas nações, bem como nossos destinos pessoais, estão seguramente colocados nas mãos de Deus, e não importa quão desesperadora uma determinada situação possa parecer, Ele pode revertê-la em uma fração de segundo.

 

Embora o nome de Deus não seja mencionado em toda a história, é muito óbvio que Ele está presente em cada instante, direcionando Ester e Mordechai pelo seu espírito. Vemos claramente a interação de Deus com a vontade do homem e Seu poder para dar sabedoria e ajuda em tempos de perigo. É interessante que no livro de Ester a salvação do povo judeu não vem através de um milagre sobrenatural como a abertura do Mar Vermelho ou o desmoronamento das muralhas de Jericó.

 

Ele usou as circunstâncias da vida de Ester, como ele usa as decisões e ações de todos os humanos para realizar Seus planos e propósitos divinos. Esta história renova nossa crença em um Deus que age e continua a realizar milagres. Podemos, portanto, confiar em Seu cuidado soberano sobre todos os aspectos de nossas vidas.

 

Mordechai era o tio de Ester, e a sua história começa com o fato de ele “estar no lugar certo na hora certa”, ele descobriu um plano para matarem o rei e denunciou. Foi relatado ao rei e o ato nobre de Mordechai foi registrado nos livros das “crônicas”, mas nenhuma recompensa foi dada a ele naquele momento. Depois de um tempo Hamã, ficou tão indignado que Mordechai não se curvou diante dele que conspirou para matá-lo!

No entanto, quando Hamã preparou a forca para enforcar Mordechai vemos o orquestrar de Deus, quando certa noite o rei não conseguia dormir, neste momento pediu para que fossem lidas as crônicas e então lembrou-se de Mordechai.

 

O enredo da história se desenvolve de forma oposta ao que se poderia esperar. Mas é assim que Deus muitas vezes trabalha em nossas vidas.

Às vezes Ele permite que o inimigo triunfe por um tempo, mas então Ele intervém e perturba o trabalho do inimigo e nos dá uma vitória maior do que teríamos conhecido se Ele não tivesse permitido que o inimigo aparentemente triunfasse em primeiro lugar.

 

Suas soluções nem sempre podem ser antecipadas, mas Seus planos não podem ser frustrados. Podemos depender dEle para cumprir Sua promessa mesmo quando todas as estradas que levam a ela estão fechadas. Esta é a mensagem principal para nós no livro de Ester. A ênfase está no poder do jejum e da oração. A insônia do rei foi precedida pelo jejum de Ester e de todo o povo judeu como vemos a seguir;

 

“Então disse Ester que tornassem a dizer a Mordechai:

Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas servas também assim jejuaremos. E assim irei ter com o rei, ainda que não seja segundo a lei; e se perecer, pereci.

Então Mordechai foi, e fez conforme a tudo quanto Ester lhe ordenou.” Ester 4.15-17

 

Purim nos lembra de nossa fragilidade e vulnerabilidade humana. Vemos o quão perto todo o povo judeu no Império Persa chegou de ser exterminado da noite para o dia pelo capricho de um líder arrogante e impulsivo. A futura existência de Israel e, em última análise, o aparecimento do Messias, foi ameaçada pelo veredicto de Hamã para destruir a nação judaica. No entanto, Purim também afirma que enquanto os opressores vêm e vão, a promessa e a aliança de Deus conosco são eternas.

O que Purim reafirma tanto para cristãos quanto para judeus é o fato de que a vida cotidiana está impregnada da presença de Deus e tudo está sob seu controle mesmo parecendo que Ele está “escondido”.

 

Vamos ver agora alguns pontos interessantes ligados à festa e seu sentido de detalhes “escondidos”

 

TRÊS REIS ESCONDIDOS

Hamã, o homem por trás da trama para destruir o povo judeu no livro de Ester, era descendente direto do rei Agag, o amalequita. Rei Agag é o primeiro 'rei oculto'. Há muito tempo, os ancestrais de Hamã, os amalequitas, tinham muito imprudentemente decidido atacar os escravos israelitas recém-libertados quando eles saíam do Egito – e não apenas isso, mas eles escolheram atacar a retaguarda do comboio onde os velhos, os enfermos e os fracos foram encontrados. Mais tarde, eles se encontraram novamente na batalha em que as mãos de Moisés foram levantadas em oração, e Deus concedeu a vitória a Israel... mas ainda assim, muitos amalequitas permaneceram, e seu ódio fervente por Israel continuou.

 

Deus diz aos israelitas mais tarde em sua jornada;

 “Lembre-se do que os amalequitas fizeram com você ao longo do caminho quando você saiu do Egito. Quando você estava cansado e exausto, eles o encontravam em sua jornada e atacavam todos os que estavam ficando para trás; eles não tinham medo de Deus. Quando o Senhor teu Deus te der descanso de todos os inimigos ao teu redor na terra que te dá para possuir como herança, apagarás o nome de Amaleque de debaixo do céu. Não esqueça!" (Deuteronômio 25:17-19)

 

Mas os israelitas não fizeram um bom trabalho ao se lembrar de apagá-los. Os amalequitas continuaram a perturbar e atacar Israel e, eventualmente, a tarefa é dada ao rei Shaul (em 1 Samuel 15) para terminar o trabalho. Shaul, filho de Kish, é o segundo 'rei oculto' na história de fundo. Desafiando as instruções estritas de Deus, Shaul, filho de Quis, poupou o rei amalequita e sua família. Embora Samuel, o profeta, tenha repreendido Shaul e tenha matado o próprio Agag, a linhagem do rei Agag continuou. A desobediência de Shaul acabou resultando no aparecimento de Hamã, o amalequita, mais uma vez empenhado em aniquilar o povo escolhido de Deus enquanto eles estavam no exílio. No entanto, Hamã não estava preparado para seu encontro com Mordechai, que era, surpreendentemente, um descendente de Kish.

E isso nos leva ao último rei – o Rei dos Reis. O rei Shaul falhou em cumprir as instruções de Deus e matar o rei Agague, então Deus reencena o evento mais tarde, na Pérsia. O espírito anti-semita de Amaleque ergue sua cabeça feia em Hamã, e o Espírito de Deus enche outro filho de Kish para completar o círculo e acabar com ele.

 

A BATALHA INVISÍVEL

Portanto, é uma história de vários níveis de segredos e surpresas – Satanás, o verdadeiro inimigo oculto, falhou em mais uma tentativa de exterminar Israel e impedir que o Messias ainda não nascido fosse revelado ao mundo. O mal invisível tentando impedir o aparecimento do bem supremo... mas lutando inutilmente contra um Deus invisível e imbatível. Podemos nos alegrar que, como Paulo escreve,

“Deles [de Israel] é a adoção à filiação; deles a glória divina, os convênios, o recebimento da lei, a adoração no templo e as promessas. Deles são os patriarcas, e deles se traça a ascendência humana do Messias, que é Deus acima de tudo, eternamente louvado! Um homem." (Romanos 9:4-5).

 

A história de Ester é um grande testemunho do poder, proteção e fidelidade de Deus ao seu povo – e também ao mundo inteiro. Mas o espírito satânico de Amaleque não desistiu de sua vingança contra o povo escolhido de Deus. Pode ser visto surgindo no ódio inexplicável aos judeus ao longo dos tempos – até mesmo da igreja às vezes. Hitler estava claramente em suas garras e, no tumultuado Oriente Médio, também podemos ver esse mesmo desejo de Amaleque regularmente vocalizado. Claro, agora a ameaça do Irã (Pérsia!) se aproxima novamente. O povo de Israel nunca foi inocente, mas o número de tentativas de erradicá-lo por completo é certamente extraordinário para o observador racional. Há mais acontecendo do que aparenta. Há uma batalha espiritual escondida sob a superfície.

Deus é sério sobre seus planos e ele vai realizá-los. Ele é apaixonado por seu povo, a “menina de seus olhos”, e ele os protegerá. O fato de que ele os guardou tão ferozmente trouxe bênçãos imensuráveis para todos os povos, e ele será fiel à sua promessa para sempre:

“Abençoarei os que te abençoarem, e quem te amaldiçoar, amaldiçoarei; e todos os povos da terra serão abençoados por meio de você”. (Gênesis 12:3)

Purim comemora os eventos do livro de Ester, quando revivemos nosso livramento de Hamã e renovamos nossa fé por termos sobrevivido aos Hamãs de outros tempos. A festa provê uma atmosfera de alegria e diversão.

 

Hamã tentou exterminar os judeus, portanto, a festa é um lembrete da preservação de Israel e do comprometimento de Deus com o seu povo. Mas, no contexto de Purim, nos lembra a preservação que Deus nos concedeu durante nosso exílio. A natureza tumultuada e barulhenta, do festival de Purim então serve para nos lembrar da preservação do nosso povo por Deus desde o tempo do exílio até quando o Messias governar e a desordem esvaecer.

Chag Purim sameach!

 

(fonte: One for Israel)

Escrito por

Rosh Gilberto Branco

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