Quem são os sábios?

27/05/2021
Por Rosh Gilberto Branco

Tempo de leitura: minutos


A SABEDORIA

substantivo feminino

O termo encontra definições distintas conforme a ótica filosófica, teológica ou psicológica. No sentido comum, a sabedoria é a qualidade que dá sensatez, prudência, moderação à pessoa, ao passo em que para a religião é o "conhecimento inspirado nas coisas divinas e humanas".


A humanidade se interessa pela compreensão da sabedoria desde seus primórdios; já no Antigo Egito a sabedoria é citada em registros que datam de 3.000 a.C. e os gregos acreditavam que ela seria uma dádiva que os deuses concediam aos filósofos, para com ela poderem contemplar a verdade; em sendo o objeto em si do saber filosófico, ela é a virtude que leva os homens à busca do bem, da verdade, do belo.

Também se entende como sabedoria o acúmulo de muitos conhecimentos; grande instrução, ciência, erudição, saber.


A visão mais comum que se tem sobre sábios é a associada a grande cultura, ou seja, a pessoa que estuda muito ou tem muitas credenciais é tido como culta e sábia.

Na verdade, é bem possível que as duas qualidades sejam parte do perfil de várias pessoas, mas nem sempre é uma verdade absoluta. Já conheci pessoas cultas, mas que não eram sábias nas suas ações, e já conheci pessoas com pouca cultura, mas muito sábias em suas ações.

A definição que eu mesmo costumo dar, é que a “sabedoria é saber como usar bem o conhecimento que se tem”. Ou seja, pode-se ter muito conhecimento e não saber usar sabiamente esse conhecimento, ou usá-lo até para o mal, ou até pode-se ter pouco conhecimento, mas usá-lo muito bem para o benefício humano.


Existe a sabedoria do mundo, mas essa não é o nosso alvo e nem agrada ao Criador.

Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia. 1 Coríntios 3:19


Quando tratamos de sabedoria bíblica, devemos sair do contexto secular.

E era a sabedoria de Salomão maior do que a sabedoria de todos os do Oriente e do que toda a sabedoria dos egípcios. 1 Reis 4:30

Interessante que a sabedoria oriental sempre foi admirada, mas Salomão não cursou nenhuma universidade de filosofia. A sabedoria veio do alto e com um propósito.

...eis que fiz segundo as tuas palavras, eis que te dei um coração tão sábio e entendido, que antes de ti teu igual não houve, e depois de ti teu igual se não levantará. 1 Reis 3:12

Depois dessa experiência, Salomão estava apto a recomendar a sabedoria da melhor espécie.


Outro exemplo de sabedoria recebida do alto é na vida do sábio Daniel.

Assim Daniel foi levado à presença do rei, que lhe disse: "Você é Daniel, um dos exilados que meu pai, o rei, trouxe de Judá?

Soube que o espírito dos deuses está em você e que você possui percepção, inteligência e uma sabedoria fora do comum. Daniel 5:13,14


Mas vamos nos ater à sabedoria referente às coisas do Eterno.

Então, eles, vendo a ousadia de Pedro e João e informados de que eram homens sem letras e indoutos, se maravilharam; e tinham conhecimento de que eles haviam estado com Yeshua. Atos 4:13

Neste caso fica evidente que a sabedoria dada a eles foi sobrenatural, pois falaram diante de autoridades eruditas e arrogantes, poderiam se intimidar, pois Kefa negou Yeshua três vezes diante de criados do sumo sacerdote, mas agora a ação do Ruach os capacitou ao serem inspirados sobre o que dizer e lhes deu ousadia para isso.


Mais pessoas experimentaram a sabedoria sobrenatural.

E Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.

E levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos Libertos, e dos cireneus, e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilícia e da Ásia, e disputavam com Estêvão.

E não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava. Atos 6:8-10


Yakov sabia diferenciar a origem da sabedoria.

Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre, pelo seu bom trato, as suas obras em mansidão de sabedoria.

Mas, se tendes amarga inveja e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade.

Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Tiago 3:13-15


Há também a sabedoria como um dom do Espírito Santo, esta é uma parte da sabedoria do Eterno que é concedida a alguma pessoa em uma situação específica, conforme necessário;

Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; 1 Coríntios 12:8


A sabedoria deve ser almejada e está ao nosso alcance, mas há condições para recebe-la.

E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada.

Peça-a, porém, com fé, não duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento e lançada de uma para outra parte.

Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa. Tiago 1:5-7


Algo que devemos atentar para os dias atuais, em especial no meio que se diz messiânico, é que ocorre uma hiper valorização dos tidos como judeus sábios da antiguidade, muitas vezes tratados como “os nossos sábios”.

Aí pergunto, que sábios? Seriam Moisés, Samuel, Daniel ou Salomão?

Não, geralmente são eruditos que remontam à época da Guemará e outros posteriores.

Para esclarecimento, a Guemará é a parte do Talmude que contém os comentários e análises rabínicas da Mishná. Depois da publicação da Mishná por Judá haNasi, conhecido como "o Príncipe" (ano 189 da Era Comum), o seu trabalho foi estudado exaustivamente geração após geração por rabinos na Babilônia e na Terra de Israel. As suas discussões foram escritas numa série de livros que se tornaram a Guemará, a qual quando combinada com a Mishná constituiu o Talmude.

A Mishná, é uma das principais obras do judaísmo rabínico, e a primeira grande redação na forma escrita da tradição oral judaica, chamada a Torá Oral.

Existem duas versões da Guemará. Uma versão foi compilada por “sábios” de Israel, primeiramente das academias de Tibérias e Cesareia, que foi publicada entre os anos 350 e 400 da Era Comum. A outra versão por “sábios” da Babilónia, inicialmente das academias de Sura, Pumbedita, e Mata Mehasia, foi publicada por volta do ano 500 da Era Comum.


Então vemos, que é a interpretação da interpretação.

Agora pensemos, o judaísmo rabínico é o judaísmo que teve início em torno do ano 90 da Era Comum, quando o rabino Yohanan ben Zakai declarou que a destruição do templo ocorreu porque Deus não queria mais os sacrifícios de sangue no altar e outras resoluções que não param de surgir. Mas, isso sem reconhecer Yeshua como Mashiach e Salvador.


Vejamos o seguinte texto;

Todo aquele que prevarica e não persevera na doutrina do Messias não tem a Deus; quem persevera na doutrina do Messias, esse tem tanto o Pai como o Filho.

Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis.

Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras. 2 João 1:9-11

João escreveu isso entre 85 e 95 da Era Comum, quando já a mensagem messiânica estava em franca expansão, então a promessa de Yeshua já era vinda, a ação do Ruach já era uma realidade e assim, qualquer um que não creia em Yeshua estará incapacitado a receber inspiração divina na interpretação da Torá.


Pessoas que se deixam impressionar por esse tipo de erudição tendem a se tornar “legalistas” indo além do que diz a Torá, não são dirigidos pelo Ruach, como diz Shaul aos Colossenses;

Já que vocês morreram com o Messias para os princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda pertencessem a ele, se submetem a regras:

"Não manuseie! " "Não prove! " "Não toque! "?

Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos.

Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne. Colossenses 2:20-23


Vamos admirar os sábios, sim, mas quais sábios?

Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus.

Pois está escrito: "Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes".

Onde está o sábio? Onde está o erudito? Onde está o questionador desta era? Acaso não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo. Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que creem por meio da loucura da pregação.

Os judeus pedem sinais miraculosos, e os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos ao Messias crucificado, o qual, de fato, é escândalo para os judeus e loucura para os gentios, mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, o Messias é o poder de Deus e a sabedoria de Deus.

Porque a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana, e a fraqueza de Deus é mais forte que a força do homem. 1 Coríntios 1:18-25


Quem são os sábios de hoje então?

São todos aqueles que reconhecem que Yeshua é o Messias, que aceitam que Ele morreu pendurado no madeiro para pagar o preço da nossa redenção com o seu sangue e que se arrependeram de seus pecados.

Sem essas qualidades, uma pessoa pode ter uma coleção de diplomas que o qualifiquem como erudito, pode até dominar muitas línguas importantes, mas jamais será um sábio de verdade.

Portanto, não se impressionem com títulos ou qualificações humanas de alguma pessoa, pode ser que você seja mais sábio do que ela.

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Rosh Gilberto Branco

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