Estudo sobre Romanos - Parte 4

09/07/2021
Por Rosh Gilberto Branco

Tempo de leitura: minutos


Terminamos o último estudo lendo os dois últimos versos do capítulo 5 de Romanos;

A Torá foi introduzida para que a transgressão fosse ressaltada. Mas onde aumentou o pecado, transbordou a graça, a fim de que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reine pela justiça para conceder vida eterna, mediante Yeshua o Messias, nosso Senhor. Romanos 5:20,21

Já vimos que a Torá mostra o pecado e o quanto ele desagrada ao Criador, e quanto mais a Torá foi revelando o pecado, mais grave ficou a situação do homem e quanto mais grave é essa situação, maior é o convívio com a morte, e é aqui que vemos a grande demonstração da misericórdia de Deus em perdoar e dar vida.


Agora no capítulo 6, o shaliach Shaul lança uma tese para o nosso raciocínio;

Que diremos então? Continuaremos pecando para que a graça aumente?

De maneira nenhuma! Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele? Romanos 6:1,2

Se alguém não entender a mensagem poderia até lançar esse pensamento, mas ele se torna ilógico, ao mesmo tempo que muito pecado requer muito perdão, muito pecado também leva, se podemos assim dizer, a muita morte. É certo que não existe muita morte, mas muito pecado é um grande peso na vida de alguém, pois implica e grande separação da comunhão com o Eterno e isso só trás sofrimento e graves consequências. Então, se morremos para o pecado nunca poderíamos raciocinar que vivendo em grande pecado poderíamos ter maiores experiências de perdão, não é assim que funciona!


Agora temos mais pontos a avaliar nos versos 3 e 4.

Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos imersos no Messias Yeshua, fomos imersos em sua morte?

Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio da imersão, a fim de que, assim como o Messias foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Romanos 6:3,4

A importância da imersão fica claramente exposta, quando Shaul explica que o tevilá de purificação representa o ingresso ou imersão na morte de Yeshua, nós mesmos não morremos fisicamente, mas legalmente morremos porque Ele morreu no nosso lugar, porque quando imergimos na sua morte somos justificados, porque Ele pagou o preço das nossas transgressões.

Nessa ligação com a sua morte, também nos ligamos com a sua ressurreição, porque recebemos a vida mesmo depois de termos legalmente morrido, mas agora já justificados e com a dívida paga.


A análise de Shaul continua nos versos 5 ao 7.

Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição.

Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado; pois quem morreu, foi justificado do pecado. Romanos 6:5-7

Fica assim claro que a imersão nos une a Yeshua na morte do velho homem, que é então destruído e recriado como uma nova criatura na ressurreição, nascido do Espírito.


Ao sermos inseridos na morte do Messias, somos inseridos na sua plena vida, ou seja, passamos a ser herdeiros de uma nova forma de viver.

Vejamos os versos 8 e 9.

Ora, se morremos com o Messias, cremos que também com ele viveremos.

Pois sabemos que, tendo sido ressuscitado dos mortos, o Messias não pode morrer outra vez: a morte não tem mais domínio sobre ele. Romanos 6:8,9

A razão de Yeshua não poder morrer uma segunda vez, tal como aqueles que são ressuscitados a exemplo de Lázaro, é porque Ele ressuscitou e foi glorificado, retornando à sua condição original, antes de vir ao mundo.


Complementa agora nos versos 10-11.

Porque morrendo, ele morreu para o pecado uma vez por todas; mas vivendo, vive para Deus.

Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus no Mashiach Yeshua. Romanos 6:10,11

Shaul esclarece que a morte do Messias não foi por causa do seu pecado, mas por causa do pecado dos outros, e de forma definitiva.

Como é bom saber disso! Juntos com Ele nós morremos para o pecado também, por isso estamos vivos para sempre mesmo depois de morrermos.


Como o novo nascimento que Yeshua citou em João 3 é um nascimento do espírito, o corpo continua com os mesmos desejos. 

Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos.

Não ofereçam os membros dos seus corpos ao pecado, como instrumentos de injustiça; antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros dos seus corpos a ele, como instrumentos de justiça. Romanos 6:12,13

Dominar o corpo com as suas tentações é agora o nosso desafio.

Como o espírito está mais forte, somos estimulados agora a vencer a carne com a nossa vontade.


Mais uma vez Shaul lança uma proposta para o nosso raciocínio;

Pois o pecado não os dominará, porque vocês não estão debaixo do legalismo, mas debaixo da graça.

E então? Vamos pecar porque não estamos debaixo do legalismo, mas debaixo da graça? De maneira nenhuma! Romanos 6:14,15

Por que o pecado não nos domina? Porque somos novas criaturas e o espírito está forte.

Quando não pecamos, é porque temos uma nova natureza, a de gostar do que Deus gosta. A Torá continua valendo, continua apresentando o pecado e acusando o pecador, mas nós já estamos justificados e não nos contaminaremos mais como antes, quando o pecado não incomodava e não nos preocupávamos com a justiça do Eterno.


Os versos 16-18 nos trazem informações esclarecedoras.

Não sabem que, quando vocês se oferecem a alguém para lhe obedecer como escravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem: escravos do pecado que leva à morte, ou da obediência que leva à justiça?

Mas, graças a Deus, porque, embora vocês tenham sido escravos do pecado, passaram a obedecer de coração à forma de ensino que lhes foi transmitida.

Vocês foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justiça. Romanos 6:16-18

Tolos são os que acham que são livres para fazerem o que querem, o ser humano não é e nunca será livre, apenas temos o direito de escolher a quem iremos obedecer, ou seja, a quem nos oferecemos como servos.



Sobre esta figura de escravidão que Shaul usa, ele explica no verso 19.

Falo isso em termos humanos por causa das suas limitações humanas. Assim como vocês ofereceram os membros dos seus corpos em escravidão à impureza e à maldade que leva à maldade, ofereçam-nos agora em escravidão à justiça que leva à santidade. Romanos 6:19

Shaul tinha motivos para dizer que a maioria das pessoas tem dificuldades para compreender certos preceitos das Escrituras quando apresentadas de forma subjetiva, ou seja, quando não podem ser vistas ou sentidas de forma prática, necessitando o uso de formas mais reais a suas mentes. A escravidão era algo do dia a dia das populações do primeiro século e de muitos outros a frente, por isso era uma figura facilmente compreendida na época e assim figuravam bem no pensamento de Shaul.


Lembram-se quando vocês viviam segundo o curso do mundo? Quando não tinham a plena consciência de que as suas ações desagradavam a Deus?

Pois é! Faziam coisas más sem dificuldade, mas que hoje se envergonham de as terem feito.

Provavelmente algumas dessas coisas até já causaram problemas, mas hoje já sabe que os poderiam levar à perdição.

Vejamos como Shaul trata o assunto nos versos 20-23.

Quando vocês eram escravos do pecado, estavam livres da justiça.

Que fruto colheram então das coisas das quais agora vocês se envergonham? O fim delas é a morte!

Mas agora que vocês foram libertados do pecado e se tornaram escravos de Deus, o fruto que colhem leva à santidade, e o seu fim é a vida eterna.

Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna no Messias Yeshua, nosso Senhor. Romanos 6:20-23

Então agora ainda somos escravos, mas nos sentimos livres, não para fazermos o que quisermos, mas livres da condenação e vivos.


Agora começaremos a tratar do capítulo 7 da carta aos Romanos.

O assunto é a Torá e o seu poder sobre o homem.

Meus irmãos, falo a vocês como a pessoas que conhecem a Torá. Acaso vocês não sabem que a Torá tem autoridade sobre alguém apenas enquanto ele vive? Romanos 7:1

Preste bastante atenção ao que Shaul escreveu. A Torá só é válida para os vivos e isso é obvio, pois quem já morreu não tem que cumprir mais nada, o que tinha que definir já está definido, pois o tinha que fazer em vida.


Por mais que a sociedade queira deturpar os princípios divinos, não há como escapar das determinações do Criador.

Por exemplo, pela Torá a mulher casada está ligada a seu marido enquanto ele estiver vivo; mas, se o marido morrer, ela estará livre desta parte da Torá.

Por isso, se ela se casar com outro homem enquanto seu marido ainda estiver vivo, será considerada adúltera. Mas se o marido morrer, ela estará livre desta parte da Torá, e mesmo que venha a se casar com outro homem, não será adúltera. Romanos 7:2,3

Ao vermos a Torá como “instrução” e não exatamente lei, podemos observar que nos livros que Moisés escreveu não existem orientações sobre um cerimonial para uma celebração de casamento, o que encontramos é a determinação para se unirem;

Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne. Gênesis 2:24

O compromisso do casamento é um acordo entre um homem e uma mulher e que deve ser selado pela sociedade local através de documentos e cerimônias que variam conforme a cultura de cada povo e em determinadas épocas, mas que no fim tem o mesmo propósito, formalizar a união do casal. Praticamente todos os povos obedecem ao mesmo princípio, a morte anula qualquer vínculo entre as pessoas.


Aplicando este mesmo raciocínio, Shaul compara o fim da validade da lei sobre a união entre um homem e uma mulher (não existe outro tipo de união válida para a humanidade), à subordinação entre o homem e o seu senhor. Aqui levamos em conta também que a escravidão era algo que fazia parte da cultura da época, a morte anulava a propriedade do senhor sobre o seu servo.

Assim vemos nos versos 4 a 5.

Assim, meus irmãos, vocês também morreram para a Torá, por meio do corpo do Messias, para pertencerem a outro, àquele que ressuscitou dos mortos, a fim de que venhamos a dar fruto para Deus.

Pois quando éramos controlados pela carne, as paixões pecaminosas despertadas pela Torá atuavam em nossos corpos, de forma que dávamos fruto para a morte. Romanos 7:4,5

Shaul apresenta aqui a Torá como aquela que aponta o pecado e mostra a sua consequência, assim como exemplo;

- A Torá diz, “Não cobiçarás... Êxodo 20:17”, mas todos já cobiçaram, porque todos estão subordinados à carne, mas se morremos para a Torá não haverá mais acusação.


Continuemos a ver as colocações de Shaul, agora no verso 6.

Mas agora, morrendo para aquilo que antes nos prendia, fomos libertados deste aspecto da Torá, para que sirvamos conforme o novo modo do Espírito, e não segundo a velha forma da lei escrita. Romanos 7:6

Uma vez que adentramos à morte de Yeshua, então ficamos livres de qualquer condenação da Torá e podemos viver agora subordinados ao Espírito da vida.


Sobre a importância da Torá ainda hoje, Shaul diz no verso 7.

Que diremos então? A Torá é pecaminosa? De maneira nenhuma! De fato, eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da Torá. Pois, na realidade, eu não saberia o que é cobiça, se a Torá não dissesse: "Não cobiçarás". Romanos 7:7

Estar livre da condenação da Torá, não significa que a mesma foi anulada, ela continua apontando o pecado para todos e nada disso muda.



Shaul faz agora uma autoanálise nos versos 8 e 9.

Mas o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, produziu em mim todo tipo de desejo cobiçoso. Pois, sem a Torá, o pecado está morto.

Antes, eu vivia fora da estrutura da Torá, mas quando o mandamento veio, o pecado reviveu, e eu morri. Romanos 7:8,9

Ele mostra algo que todas as pessoas vivem, o ser humano naturalmente vive pelo prazer e não tem consciência do pecado, mas ao conhecer a Torá o pecado passa a existir na nossa consciência e sabemos que estamos mortos.


Nos versos 10 e 11 Shaul deixa claro o que muitos não conseguem ver.

Descobri que o próprio mandamento, destinado a produzir vida, na verdade produziu morte.

Pois o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, enganou-me e por meio do mandamento me matou. Romanos 7:10,11

Neste ponto é que muita gente se equivoca, vemos muitos apregoando, “vivam pela Torá e estará tudo certo com Deus”, “sem a Torá não há vida”, “obedeçamos a Torá e seremos justificados”!

Não é que estas frases estejam erradas em si, mas geralmente essas pessoas associam o seguir o judaísmo como o cumprimento da Torá, e não entendem que a importância da Torá está em apontar o pecado nas nossas vidas. Todas as instruções, cerimoniais e celebrações são para mostrar a grandeza de Deus e a pequenez do homem, a santidade do Criador e a impureza humana, a sabedoria do Eterno e a loucura da sua criação.


É nesta hora que precisamos parar para pensar um pouco mais. Vejamos os versos 12 e 13.

De fato, a Torá é santa e o mandamento é santo, justo e bom.

E então, o que é bom se tornou em morte para mim? De maneira nenhuma! Mas, para que o pecado se mostrasse como pecado, ele produziu morte em mim por meio do que era bom, de modo que por meio do mandamento ele se mostrasse extremamente pecaminoso. Romanos 7:12,13

Será que seria melhor não conhecer a Torá para que o pecado não existisse para mim? Não, a nossa ignorância não muda a existência do pecado.

Então seria melhor não existir a Torá! Novamente não, sem a Torá a nossa existência seria totalmente sem propósito, existir somente por existir, mas nós existimos para vivermos com o Criador.


É de suma importância que façamos a devida distinção entre o que é espiritual e o que é carnal, pois vivemos as duas naturezas. Meditemos nos versos 14 a 17.

Sabemos que a Torá é espiritual; eu, contudo, não o sou, pois fui vendido como escravo ao pecado.

Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio.

E, se faço o que não desejo, admito que a lei é boa.

Neste caso, não sou mais eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Romanos 7:14-17

Sem a Torá não saberíamos da existência do espiritual, pois só conhecemos o carnal.

Até sermos comprados pelo sangue de Yeshua, somente obedecíamos ao pecado, pois a ele pertencíamos e era apenas o que conhecíamos.


Shaul agora expõe a guerra que passamos a enfrentar nos versos 18 a 20.

Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo.

Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo.

Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Romanos 7:18-20

A Torá mostra a verdade da nossa existência e nós temos que nos engajar à luta, mas não estamos preparados para isso.


Leiamos os versos 21 a 23.

Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim.

Pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. Romanos 7:21-23

Não há nada mais desconcertante para um soldado do que ver um inimigo investido contra ele e não ter nenhuma arma eficiente para se defender. Assim é a Torá quando mostra o quanto somos indefesos, querendo agradar ao Eterno, mas não sabendo como.


Na conclusão do capítulo 7 vemos uma grande revelação.

Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?

Graças a Deus por Yeshua o Messias, nosso Senhor! De modo que, com a mente, eu próprio sou escravo da lei de Deus; mas, com a carne, da lei do pecado. Romanos 7:24,25

Enfim, depois de enxergarmos a nossa situação pelas lentes da Torá, pode bater um certo desânimo, mas a Torá não é só acusação, mas em síntese é a revelação, e ela mostra a saída, um meio de resolver a questão, ela apresenta o Messias e promete a redenção.


Observamos até aqui, que Shaul alcançou um entendimento muito grande sobre o livramento oferecido pelo Eterno.

Continuaremos a aprender com o shaliach mais verdades sobre a Torá nos próximos estudos.

Escrito por

Rosh Gilberto Branco

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