Como funciona a redenção pelo sacrifício de sangue

12/08/2020
Por Rosh Gilberto Branco

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“Passado algum tempo, Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor.
Abel, por sua vez, trouxe as partes gordas das primeiras crias do seu rebanho. O Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta, mas não aceitou Caim e sua oferta. Por isso Caim se enfureceu e o seu rosto se transtornou. Gênesis 4:3-5”


Este é o primeiro registro de uma oferta de sangue na Torá. É bem conhecido, mas se prestarmos bem a atenção veremos alguns pontos que estão evidentes mas é comum passarem desapercebidos.
Primeiro vejamos que sobre Abel disse o Eterno, “aceitou com agrado Abel” “e a sua oferta”, e sobre Caim “não aceitou Cain” “e a sua oferta”.
Veja-se, primeiro o Eterno aceita a pessoa, para depois aceitar a oferta. Mais importante do que a oferta é a pessoa.
Fiquemos com isso em mente.


A tradição judaica rabínica, baseada no talmude, crê que foi Adan quem quis ofertar um sacrifício (korban) ao Eterno e não que o Eterno houvesse orientado o homem para oferta-lo, ou seja, dizem que foi uma iniciativa do homem. Só que não há nenhuma fundamentação na Torá para afirmar-se isso.
Pode até não haver nenhum registro nas Escrituras sobre isso, mas é racional imaginarmos que houve orientação divina sobre o procedimento, pois não existia nenhum precedente que pudesse levar o homem a fazer algo desse tipo.
Adam precisava ser orientado sobre todas as coisas, pois era completamente ingênuo, ou inexperiente sobre tudo da vida.
Seguindo nessa linha de interpretação, o fato de haver a morte de um animal e o derramamento do sangue, segundo os rabinos, era apenas algo para incomodar a consciência das pessoas, não tendo de fato nenhuma conotação de valor para a redenção. Ainda que a Torá não corrobore esse pensamento.
Por essa razão, muitas pessoas (ex-crentes principalmente) quando começam a escafundar o judaísmo rabínico, passam a descrer do valor do sacrifício de Yeshua, e não se enganem, até pessoas bem conhecidas no meio messiânico já caíram nessa armadilha.
Uma grave consequência desse modo de pensar, é a de rebaixar a natureza do Mashiach.
A visão messiânica do judaísmo rabínico é a de que em cada geração existe um “judeu” muito justo (tsadik) que tem um grande potencial de ser o messias e, caso os judeus “mereçam”, ele será elevado à condição de Mashiach e terá um tão alto grau de “karisma”, que levará toda a humanidade a se comportar como o Eterno quer, com justiça, bondade e alto padrão de vida.

Mas, será que é isso mesmo que a Torá diz?

"Diga aos israelitas: Quando alguém pecar sem intenção, fazendo o que é proibido em qualquer dos mandamentos do Senhor, assim se fará:
"Se for o sacerdote ungido que pecar, trazendo culpa sobre o povo, trará ao Senhor um novilho sem defeito como oferta pelo pecado que cometeu.
Apresentará ao Senhor o novilho na entrada da Tenda do Encontro. Porá a mão sobre a cabeça do novilho que será morto perante o Senhor.
Então o sacerdote ungido pegará um pouco do sangue do novilho e o levará à Tenda do Encontro;” Levítico 4:2-5


Será que foi o homem que ensinou o Eterno a usar o sangue para remissão dos pecados? Certamente que não.

“Pois a vida da carne está no sangue, e eu o dei a vocês para fazerem propiciação por si mesmos no altar; é o sangue que faz propiciação pela vida.” Levítico 17:11


O significado do sangue é muito importante como meio de redenção.
No período da primeira aliança, era o único meio para satisfazer a lei do Eterno para a justificação. Era necessário crer para que o sacrifício fosse aceito, tal como para Abel.
Quando Yeshua iniciou o seu ministério trazendo ensinos profundos e claros, o significado e o valor do sangue foram então clarificados.

“Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados.” Mateus 26:28


Isso já foi profetizado por Isaías;

“Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.’ Isaías 53:5

“Contudo foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor faça da vida dele uma oferta pela culpa, ele verá sua prole e prolongará seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em sua mão.” Isaías 53:10

Diminuir o valor do sangue de Yeshua é algo terrível, pois se esse sangue não tivesse sido vertido, não adiantaria haver um Mashiach conforme o plano do Criador.

“Por isso, nem a primeira aliança foi sancionada sem sangue.
Quando Moisés terminou de proclamar todos os mandamentos da Torá a todo o povo, levou sangue de novilhos e de bodes, juntamente com água, lã vermelha e ramos de hissopo, e aspergiu o próprio livro e todo o povo, dizendo:
"Este é o sangue da aliança que Deus ordenou que vocês obedeçam".
Da mesma forma, aspergiu com o sangue o tabernáculo e todos os utensílios das suas cerimônias.
De fato, segundo a Torá, quase todas as coisas são purificadas com sangue, e sem derramamento de sangue não há perdão.” Hebreus 9:18-22


Poder-se-ia ter uma explicação mais judaica do que esta?
Obviamente, nenhum homem ou criatura do Eterno poderia ter tal privilégio, somente alguém muito especial e de natureza divina como o Filho do Eterno o poderia reivindicar.

“assim também o Mashiach foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam.” Hebreus 9:28


Portanto irmãos, fiquem atentos e rejeitem qualquer ensino que tenda a diminuir a importância do sacrifício de Yeshua, ou tirar dele a divindade que lhe é natural.

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Rosh Gilberto Branco

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