Tudo o que é judaico é bíblico?

12/08/2020
Por Rosh Gilberto Branco

Tempo de leitura: minutos


Tenho observado nestes últimos tempos, que várias pessoas tem se baseado no atual judaísmo rabínico para definirem o que julgam ser o padrão do judaísmo. Será que é isso mesmo?

Vamos verificar alguns pontos!

1- O Ruach HaKodesh usou e inspirou hebreus por todo o texto do TANACH.

“Então o Espírito do Senhor apoderou-se de Gideão, e ele, com toque de trombeta, convocou os abiezritas para segui-lo. Juízes 6:34”

Homens foram usados pelo Eterno para cumprir o seu propósito, foram chamados e capacitados por Ele, através deles foram feitos milagres, profetizaram e escreveram textos canônicos. Pelo Ruach também anunciaram a vinda do Mashiach e falaram detalhes sobre o seu ministério.

Certamente muitas pessoas tinham comunhão com o Criador, falaram com Ele e ouviram a sua voz, isso é inquestionável.

2- Não podemos ignorar que nesses cerca de 1.500 anos da amplitude da primeira aliança existiram também falsos profetas e falsificadores da palavra do Eterno, homens arrogantes afrontaram os servos de Adonai e arrastaram multidões atrás deles, tal como vemos hoje.

 

As coisas mudaram com a vinda do Messias?

Não e Sim. Parece uma resposta ambígua, não é?

Não mudou, porque o Espírito de Deus continua agindo sobre quem obedece às mitsvot (ordenanças) do Eterno, e Sim porque isso implica em obrigatoriamente reconhecer Yeshua como Messias e Salvador.

Olha o que Shaul disse sobre muitos religiosos de hoje em dia;

“Na verdade, as mentes deles se fecharam, pois até hoje o mesmo véu permanece quando é lida a antiga aliança. Não foi retirado, porque é somente no Messias que ele é removido. 2 Coríntios 3:14”

Já no tempo de Yeshua, ele mesmo disse;

"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo. Mateus 23:13”

Quase 2.000 anos se passaram e a situação continua a mesma!

Na realidade, algumas coisas até pioraram, o judaísmo permaneceu sendo praticado enquanto ainda existia o templo em Jerusalém, pois os koanim (sacerdotes) ainda atuavam como Moisés havia orientado, porém, no ano 70 o general Tito, filho do imperador Vespasiano, destruiu Jerusalém e o templo foi demolido, interrompendo assim todo e qualquer serviço feito pelos sacerdotes e levitas.

Os objetos do templo foram levados para Roma como despojos de guerra por Tito. Assim não haveria mais o altar para sacrifícios e o serviço aarônico nunca mais pode ser realizado.

Sabemos que tudo isso já havia sido profetizado por Yeshua;

"Vocês estão vendo tudo isto? ", perguntou ele. "Eu lhes garanto que não ficará aqui pedra sobre pedra; serão todas derrubadas". Mateus 24:2

Pode-se perguntar, por que o eterno permitiu que tudo isso acontecesse? A resposta está no próprio plano do Eterno, o korban (sacrifício) ofertado por Yeshua foi único e permanente, o altar do templo tornou-se dispensável.

Para os messiânicos do primeiro século isso era perfeitamente compreensível, Yeshua era o Messias e Salvador, mas para os demais judeus, principalmente fariseus (perushim) e saduceus (tsedukim) que o rejeitavam a situação ficou muito complicada, pois ficaram sem opção para cumprir a Torá.

Assim ficou até o ano 90 EC, quando Yochanan Ben Zakai, um rabino tanaita muito influente, liderou certas conclusões;

“Após a destruição de Jerusalém, Yochanan converteu sua escola em Yavne no centro religioso judaico, insistindo que certos privilégios, dados pela lei judaica exclusivamente a Jerusalém, fossem transferidos para Yavne. Sua escola funcionou como um restabelecimento do Sinédrio, para que o judaísmo pudesse decidir como lidar com a perda do altar e de sacrifício do templo em Jerusalém e outras questões pertinentes. Referindo-se a uma passagem do Livro de Oséias, "Desejei misericórdia, e não sacrifício", ele ajudou a persuadir o conselho a substituir o sacrifício de animais pela oração, uma prática que continua nos cultos de hoje; eventualmente, o judaísmo rabínico emergiu das conclusões do conselho.”

A partir das decisões iniciadas por Ben Zakai, o judaísmo rabínico começou a tomar decisões por conta do entendimento de rabinos considerados “tsadikim” (sábios) pelos seus afetos, sendo que principalmente após o reconhecimento de Maimônides como autoridade ímpar no judaísmo, confirmando passagens do talmude babilônico, os rabinos assumem uma condição de poderem até suplantar a autoridade de Deus em suas decisões coletivas.

Sob influência do talmude e posteriormente da kabalá, a “doutrina” judaica vem se moldando geração após geração no mesmo princípio que o Shaliach Shaul descreveu em Romanos 10.

“Pois posso testemunhar que eles têm zelo por Deus, mas o seu zelo não se baseia no conhecimento.
Porquanto, ignorando a justiça que vem de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se submeteram à justiça de Deus.
Porque o objetivo da Torá é o Messias, para a justificação de todo o que crê. Romanos 10:2-4”

Por que isso? Por que os rabinos não tem autoridade do Ruach para estabelecer uma doutrina verdadeira e de acordo com a Torá?

Porque rejeitaram o verdadeiro Messias e Salvador, simples assim.

“Todo aquele que nega o Filho também não tem o Pai; quem confessa publicamente o Filho tem também o Pai. 1 João 2:23”

“Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida. 1 João 5:12”

“Quem crê no Filho tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele". João 3:36”

Qual é o pecado mais grave que um rabino tradicional pode cometer?

Certamente é rejeitar aquele que foi prometido antes da fundação do mundo.

Agora, o que pensar daqueles que uma vez conhecendo quem é o Messias, buscam nos pensamentos rabínicos a resposta para a “verdadeira” interpretação das Escrituras?

No mínimo estão confusos e não conseguem identificar a fonte da verdade.

O problema dessas pessoas é que julgam que descobriram que estavam errados por muito tempo e que agora acharam o caminho correto, se aprofundam no judaísmo rabínico e começam a questionar a messianidade de Yeshua, lançam seus questionamentos aos ventos e confundem pessoas que também não estão profundamente arraigados nas palavras do Messias.

“Todo aquele que não permanece no ensino do Messias, mas vai além dele, não tem Deus; quem permanece no ensino tem o Pai e também o Filho.
Se alguém chegar a vocês e não trouxer esse ensino, não o recebam em casa nem o saúdem.
Pois quem o saúda torna-se participante das suas obras malignas.  2 João 1:9-11”

Portanto, devemos tomar muito cuidado com o que aceitamos como verdade sem antes consultar ao Ruach em nossa própria vida.

O verdadeiro judaísmo é o que foi ensinado por Yeshua, só através dele podemos entender tudo o que Moshé recebeu no Sinai, e tudo o que os profetas registraram. Esse judaísmo de Yeshua foi devidamente ensinado pelos seus discípulos, portanto a melhor fonte de informações sobre o judaísmo é a própria Brit Chadashá (Novo Testamento).


Escrito por

Rosh Gilberto Branco

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