Por que eu Creio ?

Eu nasci e fui criado em uma casa judaica religiosa. Tanto quanto eu posso me lembrar, meu pai sempre usou uma vestimenta religiosa, com barba e “peyot” e todas as outras marcas costumeiras do judaísmo ortodoxo.

A comunidade judaica onde eu passei minha fase de garoto era pequena e muito pobre. Ela não tinha uma posição para manter um “Cheder” (uma escola religiosa judaica). Mas meu pai, sendo um judeu devoto, sentiu que era sua solene responsabilidade instruir seus cinco filhos, minhas quatro irmãs e seu único filho, na fé de seus pais. E quando ele não estava ais com tempo e força para esta tarefa ele, acima de seus magros recursos, contratou um “Belfer” (um professor de ensino religioso básico) para continuar nossa instrução.

Foi o Belfer que iniciou o “Chumesh” (livros de Moisés) comigo, mas ele não ficou muito tempo. Por vários motivos, especialmente financeiros, meu pai precisou dispensá-lo. Foi decidido que eu precisaria ser mandado para um Cheder em uma cidade vizinha para continuar meu treinamento religioso.

Desta forma, depois do “Pessach”, tendo chegado a madura idade de sete anos, meu pai tomou-me pelas mãos e me levou ao Cheder cerca de seis quilômetros e meio de nossa vila.

Tornei-me um Estudante do Talmud

Eu comecei a estudar o Talmud aos nove anos de idade. Um ano depois o Rebe sugeriu ao meu pai que já tinha avançado com os meus estudos o máximo que ele podia, e que se meu pai desejava que eu continuasse meus estudos talmúdicos ele precisaria me transferir para uma escola de maior nível de ensino. Meu pai alegremente acolheu o conselho e logo eu já estava matriculado como estudante em uma Yeshivá.

Esta foi a minha vida até completar treze anos, isto é, até ter meu “Bar Mitsvá”. Isto é um marco importante na vida de um menino judeu. De acordo com a tradição judaica, o menino neste ponto atinge a idade de ser um membro pleno da sinagoga judaica. Anteriormente seu pai era responsável pelos seus pecados, mas agora, o pai é liberado desta responsabilidade. De agora em diante o “Filho da Lei” deve sofrer as penalidades de seus próprios erros.

Um ano mais tarde, eu estava na cidade Capital da Polônia, Varsóvia, continuando meus estudos talmúdicos em um dos mais famosos seminários rabínicos. Ao final de meus estudos eu esperava obter meu diploma de rabino. Mas isto significava novamente um período de dificuldades e privações. A comida era provida pelo seminário, mas para o alojamento, eu, tanto como outros estudantes necessitados, deveríamos encontrar uma loja judaica onde eu poderia atuar como um vigia noturno, pelo qual receberíamos abrigo e algumas vezes alguns centavos.

Dúvidas e Problemas

O ensino nas escolas rabínicas era do tipo “dado na boca”, isto é, tínhamos que guardar no coração ou memorizar o que nós líamos nos livros ou o que nós ouvíamos

Dos lábios do rabino. Raciocínio e questionamento independentes eram completamente desestimulados. Aquele que inadvertidamente expressasse uma dúvida, ou uma opinião de si mesmo que não fosse encontrada nos livros, era cruelmente punido por sua ousadia. Como resultado, eu carregava meus problemas e dúvidas sem atrever-me a confidenciar com ninguém.

Neste tempo também, tornou-se claro para mim, que por mais que eu tentasse, eu não iria para o céu de forma nenhuma. Eu sentia que não conseguiria estar à altura dos requisitos da Torá. Uma história talmúdica sobre um rabino famoso me perturbou demasiadamente. De acordo com ela, quando seu fim estava se aproximando, ele estava tão aterrorizado que chorava amargamente. Ele não sabia, ele lamentava, para onde estava indo – para o Céu ou para o “Gehena”. “Se assim um rabino”, eu disse para mim mesmo, “tão famoso por sua devoção e santidade, não sabia se era bom o suficiente para ir para o céu, que chance eu terei de ir para lá?”

A este ponto, ocorreu um incidente que mudou completamente todo o curso de minha vida. Eu tinha um amigo que era suspeito de não ser suficientemente ortodoxo de acordo com os rígidos conceitos da Yeshivá onde eu estava. Ele participava de um grupo sionista religioso chamado Mizrachi, que não era tolerado na Yeshivá. Apesar de eu não ter nada com este grupo, meu relacionamento com este amigo nunca levantou suspeita em mim também.

Neste tempo eu também me tornei insatisfeito com todo o sistema de educação rabínica. Tudo isto não era nada a não ser o que rabinos, há muito tempo atrás, disseram ou escreveram. Eu desejava ler e estudar coisas que estivessem fora do currículo talmúdico. Eu anelava aprender coisas diferentes das que eram ensinadas na Yeshivá.

Esta oportunidade veio logo. Andando em uma rua de Varsóvia, eu encontrei um amigo, que também era um estudante do Talmud, parado em uma rua e vendendo coisas. Eu perguntei a ele por que ele estava fazendo isso. Ele disse, “Eu estou cansado da tirania e do fanatismo dos rabinos. Eu agora estou sustentando minha própria vida. Eu não dependo mais da Yeshivá. Agora eu posso pensar por mim mesmo e ler o que eu gosto.” Pouco tempo depois, eu também estava parado na rua vendendo coisas.

Uma Mudança Radical

Então o dono da loja que estava me hospedando em sua propriedade me viu na rua com uma cesta de mercadorias. “Aha,” ele disse, “você não está mais na Yeshivá! Minha loja é somente para Yeshivá Bocherim (estudantes). Desta forma você não pode mais dormir no meu espaço!”

A única coisa para mim então era achar outra pousada. Eu tive êxito rapidamente na casa de uma mulher delicada e maternal. Mas esta mulher estava freqüentando reuniões em uma missão!

“O que eles fazem na missão?” eu lhe perguntei. “Venha e veja!” ela respondeu. Minha curiosidade despertou, e um dia eu a acompanhei a uma reunião.

Os pregadores não eram totalmente desconhecidos para mim. Eu os tinha ouvido antes e os odiava. Eu também tinha visto alguma de sua literatura, e tão logo a li rapidamente o rasguei.

Ele parecia propor a idéia de que os judeus deveriam crer em três deuses e mudar a Santa Torá pelos ensinamentos de um “Pendurado.” Seria um pecado para um judeu ter seu nome nos lábios, porque “Aquele” foi a causa de todas as aflições que haviam acontecido em Israel desde os seus dias aproximadamente dois mil anos atrás.


Além disso, o que eu vi na missão aquele dia me fez achar muito ridículo. O pregador iniciou a reunião oferecendo uma oração em Yidish! Eu não pude evitar uma explosão de riso. Conosco, na sinagoga, somente mulheres ignorantes oram em Yidish. A linguagem de oração para os homens era o Hebraico, do Sidur!

Uma pequena reflexão, porém me envergonhou do meu comportamento. Depois de tudo, eu disse para mim mesmo, D-us compreende todas as línguas, até o Yidish. Logo pensando em Abraão, Isaque e Jacó, e os profetas, estava claro que eles não tinham o Sidur para orar, e as suas orações foram aceitas por D-us.

Sinais do Messias

Então, durante o encerramento da reunião eu ouvi o pregador dar o seguinte aviso:

Se algum de vocês deseja um sinal do TANACH (Antigo Testamento) que Yeshua é o Messias, permaneça após a reunião, e eu irei provar com mais de um sinal que isto é assim.

Ouvindo isto eu decidi ficar. Eu tinha certeza de que ele estava errado. Eu sabia que não havia sinais no Tanach pelos quais ele pudesse provar seu ponto. Eu também sabia que poderia demolir todos os seus argumentos e mostrar-lhe que ele estava no erro. Portanto eu estava ansioso por ouvir o que ele tinha a dizer.

O pregador fez uma longa palestra, citando muitos versos do Tanach em seu apoio. Mas eu tinha uma resposta pronta para cada um desses versos. Alguns deles, eu interpretei, não se aplicavam ao Messias, e aqueles que se aplicavam, eu lhe mostrei que não era a Jesus a quem se referia. A única passagem, entretanto, para a qual eu não sabia a resposta era Daniel 9.24-26. Lê-se como segue:

Setenta semanas estão decretadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o santíssimo.

Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até o Messias, o príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; com praças e tranqueiras se reedificará, mas em tempos angustiosos.

E depois de sessenta e duas semanas será cortado o Messias, e nada lhe subsistirá; e o povo do príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até o fim haverá guerra; estão determinadas assolações.

Eu simplesmente tive que confessar que eu não compreendi nada desta passagem. Mas prometi ao pregador que eu iria estuda-la e voltaria com a resposta. Meu enigma era: Por que o Messias seria cortado?

Como continuei a freqüentar as reuniões, eu aprendi a respeitar as pessoas por sua paciência e humildade. Reflexões e estudos posteriores me fizeram sentir que todas as minhas “repostas prontas” para os “sinais” do pregador não eram baseadas em estudos imparciais da Bíblia, mas sobre o que os rabinos me disseram. Eu tive de admitir que as promessas cumpridas em Jesus eram demasiadamente numerosas para serem desprezadas. Havia um acúmulo de evidências que de maneira nenhuma poderiam ser deixadas de lado.

Eu Aceito o Messias

Mas eu queria chegar ao fundo de todo este assunto. Para tanto eu obtive uma cópia do Novo Testamento em Hebraico para aprender de primeira mão quem Jesus era, e o que Ele veio fazer e ensinar. Eu o li direta e cuidadosamente, comparando as muitas referências dele com o Tanach. Lentamente começou a ficar claro para mim que Jesus devia ser o Messias.

Olhando minha vida pregressa, me dei conta de que passo a passo a mão de D-us estava sobre mim, me guiando. Todas as circunstâncias pareciam que combinavam para me levar a tomar aquela decisão. Isto era a mão de D-us que eu não podia e não devia resistir, e era o Espírito de D-us, que ainda pensa sobre o caos deste mundo e sobre a alma dos homens, obscurecida pelos pecado, clamando: Deixe haver luz!

Era uma decisão solitária a fazer. Eu não poderia consultar meus pais ou amigos. Eles não poderiam compreender. Eles teriam uma amarga oposição a isto. Entretanto, eu sabia que meu próximo passo seria fazer uma confissão pública de minha fé no Messias. Mas faltou-me a coragem para fazer isto claramente.

Então veio o inverno do ano de 1937. Havia uma reunião na missão, e nessa ocasião, ela era composta exclusivamente por judeus messiânicos. A preletora era uma mulher gentia, que falou sobre o Templo de Jerusalém, expondo como todas as coisas nele - sua construção e mobília - tudo apontava para o fato de que todos os homens são pecadores, e que o Senhor Jesus era o sacrifício para todos os pecados.

“Como é isto?”, eu me perguntei “como uma mulher gentia sabe mais sobre a Bíblia e sobre o significado destas coisas do que eu, um estudante de uma Yeshivá? Isto não prova que é porque como uma nação nós temos rejeitado nosso Messias?.”

Quando a pregadora terminou, nós fomos convidados para ajoelhar para orar. Então o inesperado aconteceu. A despeito de minha relutância judaica em ajoelhar, eu imediatamente desci sobre meus joelhos antes de todos, e orei para que D-us abrisse meus olhos para a verdade, e perdoasse meus pecados por não reconhecer abertamente diante dos homens que Jesus era meu Messias.

Ousadia e Certeza

D-us respondeu minha oração. Uma nova certeza encheu minha alma. Eu não tinha mais receio de confessa-lo diante dos homens. Eu não tinha mais medo das conseqüências.

Entretanto este não foi o fim de minhas dificuldades. Logo meus pais souberam do passo que havia dado, e vieram decididos a dissuadir-me de minha nova fé. Mas a medida que o tempo passou, sua oposição se abrandou e eu tive muitas oportunidades de testemunhar a eles sobre o nosso Messias.